As iras da vinha
'Cultiva a tua vinha'
Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011
Nova Morada
Quinta-feira, 17 de Março de 2011
Intervenção na Assembleia Municipal de Lisboa de 15-03-2011
1. Quero começar por dizer que numa altura em que os cidadãos olham, cada vez mais, com desconfiança para as instituições democráticas e para a política e os políticos em geral, mercê das sucessivas más governações que empurraram o país para uma crise económica e social que se arrasta há já tempo de mais, não deixa de ser com agrado que noto o esforço e empenho constantes do actual executivo camarário bem como da Sra. Presidente desta Assembleia em abrir a discussão dos mais importantes assuntos que regem a vida desta nossa cidade aos cidadãos interessados em fazerem-se ouvir para lá do voto; seja quanto a esta questão da Reforma Administrativa seja quanto ao Orçamento Participativo ou quando as escolas vem aprender a participar. Esperemos que em breve, para lá de todas as desavenças partidárias, o bem comum possa falar mais alto e o Conselho Municipal de Juventude comece a funcionar em pleno.
2. Quanto à Reforma propriamente dita há que assinalar um ponto da máxima importância e que constitui uma outra grande vitória: esta mudança que agora está em discussão pública aproximará os munícipes dos centros de decisão política com a relevante entrega de competência às Freguesias: as entidades mais próximas dos cidadãos e mais conscientes de como certas decisões podem ou não influir positivamente na vida daqueles que residem em Lisboa ou, não residindo, aqui encontram diariamente o seu lugar de trabalho usufruindo dos seus serviços e comércio. Mas mesmo aqui teremos de estar atentos: que esta entrega de competências não sirva, como serviu no passado, para a Câmara Municipal poupar dinheiro e livrar-se de problemas que não consegue resolver. Pede-se apenas, e nunca menos, que juntamente com as competências, as Juntas recebam a totalidade dos meios necessários para prestar um serviço digno e que constitua uma mais valia para as populações.
3. Publicamente, a questão que se destaca mais é porém a da diminuição do número de Freguesias, das actuais 53 para 24. Esta alteração é ambiciosa, mas talvez peque por defeito. Na dúvida, porque não trouxemos a discussão outros projectos de outros partidos que não o do PS e PSD? De qualquer modo não deixa de ser redutor que publicamente se cinja a discussão quase apenas em torno desta questão, resultando daqui um aproveitamento político muito prejudicial à discussão da Reforma por inteiro.
4. Algo importante que esta mudança trará será a da diminuição do número de membros eleitos à Assembleia Municipal. Também aqui podemos ser mais ambiciosos, aproveitando tal facto para repensar o lugar e o papel dos Presidentes de Junta nesta Assembleia. Deverão ter lugar? Devendo, deverão poder votar todos os documentos aqui apresentados? Com que legitimidade? Esta questão não deve ser desviada da discussão que estamos agora a ter a propósito da Reforma Administrativa da Cidade de Lisboa já que se liga intimamente com os interesses que esta Assembleia se propõe defender.
5. Quando em 2009 se concluiu o Processo de Elaboração da Carta Estratégica de Lisboa para os anos 2010-2024, quem se atreveria a negar que finalmente os lisboetas poderiam começar a sentir que a cidade programava para si um lugar melhor num mundo globalizado? Este sentimento de esperança na construção de uma cidade melhor, transversal a todos os que amam Lisboa, tem aqui e agora, em torno deste projecto, um dos seus maiores desafios. Desafio esse que, em nome do bem-estar das populações e dos cidadãos da República não deverá cair em saco roto. Exorto pois, todos os entes políticos públicos e membros da Polis a pensar acima das suas cabeças e a assumir este desafio de construir uma cidade melhor através da aprovação desta Reforma em todas as instâncias próprias.
Relembro, para terminar, um velho dito latino: Omnis Civitas contra se divisa non stabit: A cidade contra si desunida não permanecerá. Possamos nós fazer perdurar Lisboa sem as ruínas que a vão consumindo.
Sábado, 19 de Fevereiro de 2011
Anatomia de uma doença pública
Sábado, 29 de Janeiro de 2011
alteração substancial de facto
Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011
tempus edax rerum
Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011
Em busca dos escritores perdidos III

Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011
Glória nas profundezas
Domingo, 23 de Janeiro de 2011
Nono Domingo
Sábado, 22 de Janeiro de 2011
Por não saber o que me espera
Uma certa Mãe-França
Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011
Chocolate com vinagre
Terra Profana (ho, dominus!)
Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011
Em busca dos escritores perdidos II

Já toda a gente que é gente ouviu falar de Ferreira de Castro. Contudo, poucos o terão lido. Não é que haja algum mal em nunca ter lido Ferreira de Castro. Aliás, é precisamente por causa disso que eu ando à busca desta série de escritores portugueses que deixamos cair no esquecimento como o c do novo fato. Como é óbvio eu não os estou a ir buscar à tumba, à prateleira esquecida da biblioteca municipal de Terras de Bouro (que não tem nenhuma e que terá a que eu lhe legar se assim me for concedido poder fazer). Se o mesmo não acontecia com José Rodrigues Miguéis, a verdade é que teve ser um obreiro (e isto custa-me e sufoco) chamado Paulo Teixeira Pinto a reeditar Ferreira de Castro qual fénix renascida de um exílio literário que parece querer imitar o da vida do autor. Para averiguarmos da importância da contingência nas nossas vidas tomemos o exemplo de Ferreira de Castro. Ferreira de Castro ( este polissíndeto do nome é intencional) não ganhou o Prémio Nobel da Literatura porque não calhou. Ninguém antes de Saramago esteve tão próximo de o trazer para Portugal. Se não aconteceu com Ferreira de Castro também não aconteceu com muitos outros que o mereciam ou o Rushdie que, coitado, deitaria fogo à Europa. Se tivesse acontecido de ganhar este prestigiado prémio (e depois da Jelinek parece-me que o prestígio está em não o ganhar) hoje seria mais um grande vulto da literatura nacional. Como não ganhou não é. O azar é que Ferreira de Castro é todo bom de princípio ao fim por onde já passei e ainda assim lá está ele, esquecido, votado ao ostracismo, ao bom modo da ilustre casa lusitana.
Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011
Especuladores financeiros consultam diariamente site do Instituto de Meteorologia Português

Emissários do Império Solar conquistando Roma
Domingo, 16 de Janeiro de 2011
Das Tunísias
Oitavo Domingo
Ceifeiras, Silva Porto
Sábado, 15 de Janeiro de 2011
Em busca dos escritores perdidos I
Não conhecia José Rodrigues Miguéis até me falarem dele. Penso que é assim com tudo, o que faz desta afirmação uma parvoíce pegada que outro intuito não tem se não o de fazer o inestimável leitor acompanhar este post até ao fim ou pelo menos até aqui. Como tenho a certeza que agora me acompanhará durante mais um pedaço e tendo em conta que não há nada sobre este homem que eu possa dizer de relevante que não esteja nos seus livros, poderia recomendar que os comprasse se eles estivessem editados. No início eu julgava não ter nada para dizer e publicitar apenas o homem, mas afinal prova-se que não é bem assim e que mesmo um homem sem nada para dizer pode dizer muitas coisas. No fundo, o que eu gostaria que o leitor já tivesse entendido nesta parte do post é que é bem preferível ir ler qualquer coisa do José Rodrigues Miguéis a continuar aqui a ler José António Borges. Ainda que a atenção que me disponibiliza seja de facto agradável (mesmo que por mim não verificável), mais não posso dizer que 'Idealista num mundo real', 'O milagre segundo Salomé' e 'Léah e outras histórias' são de facto livros notabilíssimos no panorama da literatura portuguesa, seja lá isso o que for desde que tipos como o valter hugo mãe são lidos e aplaudidos. Eu sei que sou novo e pretensioso, mas cum caralho, não me fodam! Perdão e obrigado.
Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011
Neste estado estou por vós, Direito
Ai se a vida imitasse a arte...
Uma amiga ofereceu-me este álbum. West meets East. Ravi Shankar, o histórico músico indiano da sitar, um instrumento próximo da cítara (e eu sempre que ouço a palavra cítara lembro-me do Anton Karas e da banda sonora que compôs para O terceiro homem do Carol Reed baseado no livro homonímo do Graham Green) e Yehudi Menuhin, famoso violinista judeu de origem russa. A gravação é de 1967. Não sei o que se pode dizer sobre isto, não sei mesmo, mas achei por bem dizer que uma descoberta assim só se faz de longe a longe, e é quando somos novos.Quarta-feira, 12 de Janeiro de 2011
Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?
Cícero denunciando Catilina, Barloccini, 1849Terça-feira, 11 de Janeiro de 2011
A chusma

Domingo, 9 de Janeiro de 2011
Septimus Domingo
Este mundo era assim
Há precisamente oitenta anos atrás o avô do meu avô, António José Alves, dos da Laija do Vilar da Veiga, escreveu esta frase no livro do Deve e do Haver da Quinta da Granja. Este Mundo é assim.Um mundo que é este e não outro. Um mundo que era aquele e não outro. Um com aquela bela caligrafia tinha mesmo de ser outro mundo. Que sentido podemos retirar desta frase que nos possa dizer algo sobre o homem que a escreveu? Nascido no terceiro quartel do século XIX era já homem adiantado na idade quando inicia este livro. Casado em 1898 com Emília Vieira Borges (poucos anos depois perder-se-ia a tradição ainda hoje mantida na Galiza segundo a qual o último apelido dado aos filhos é o da mãe, princípio que fez com que eu recebesse o Borges desta minha tetravó) viria a ter um filho, José Maria Alves Borges, assassinado um ano antes da frase 'Este Mundo é assim' ter sido escrita. Sabemos portanto que este é um homem amargurado pela perda do seu único filho, ficando a seu cuidado o neto, Américo José Alves Borges. A caligrafia que nos é apresentada faz as contas até 1940, depois pára o livro para ser reiniciado somente em 1957. No dia 9 de Janeiro de 1931 temos as seguintes entradas: 1) despesas na ponte - 3$60; 2) dei para o Calvário - 20$00; 3) um dia ao Carpinteiro - 5$00; 4) uma viagem a Braga - 20$00. E continua pelos dias fora, entre despesas com funerais, dízimos, jornas, vestuário ou viagens a receitas com o gado, o vinho, os cereais ou a madeira. Está aqui a história da vida de parte da minha família durante uma década. A década em que o tio Agripino, padre de Paredela do Rio em Montalegre, escondeu republicanos espanhóis na sacristia. Década em que O Estado Novo se afirma e a Guerra começa lá fora. Mas apesar da importância absoluta destes acontecimentos há uma coisa que fica clara: nada disso afecta ou muda a vida da Quinta da Granja. As entradas são esclarecedoras. O que determina os movimentos aqui (neste casarão empedrado do século XVI originalmente dependência dos monges do Mosteiro de Santa Maria de Bouro -daí o nome Granja- comprado depois da extinção das Ordens Religiosas em 1834 por Joaquim António de Aguiar, a partir de então apelidado de 'mata-frades') não é o vai-vem político ou sequer o que faz sugerir o tio Adolfo lá das portas dos bárbaros, é antes algo bem mais simples e verdadeiro: as estações, as mondas, o cultivo dos campos, a resposta às iras da vinha, as mortes e os nascimentos. A vida, em suma. Sem pretensões, nada mais que a vida.
Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011
poiesis
em espiral imitando as heras da casa velha.
Subindo, subindo sempre,
até aos meus cabelos encaracolados,
que tornearias bem como a um verso
em redor dos teus dedos compridos.
Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011
Que os teus descendentes sejam amaldiçoados até à décima geração, infame ladrão de livros!


